Operação prende suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes em vários estados
Foto: PCDF/Reprodução
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação contra um grupo suspeito de fabricar e distribuir anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados para diferentes estados do país. Até a última atualização, cerca de 30 pessoas haviam sido presas.
Ao todo, os agentes cumprem 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 32 milhões em bens e valores dos investigados. Durante a operação, 25 veículos de luxo devem ser apreendidos. Além disso, 13 estabelecimentos foram fechados e 22 perfis utilizados nas redes sociais foram derrubados.
Entre os alvos estão Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya e apontado pela investigação como um dos líderes do esquema, além da influenciadora Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima. Donos de academias e lojas de suplementos também estão entre os presos, segundo a Polícia Civil.
Como funcionava o esquemaAs investigações começaram após uma operação de busca e apreensão na residência de um suspeito apontado como responsável por um dos núcleos da organização. No celular apreendido, os policiais encontraram mensagens que, segundo a investigação, detalhavam a atuação dos diferentes grupos envolvidos no esquema.
De acordo com a Polícia Civil, os anabolizantes eram produzidos de maneira artesanal e em condições consideradas precárias, utilizando substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes.
A investigação aponta ainda que médicos-veterinários participavam do esquema emitindo receitas falsas para permitir a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.
Para tentar dar aparência de legitimidade aos produtos, os suspeitos utilizavam rótulos em idiomas estrangeiros e bandeiras de outros países. A Polícia Civil também afirma que nutricionistas e treinadores recomendavam as substâncias aos consumidores.
Os esteroides anabolizantes são substâncias que apresentam efeitos semelhantes aos da testosterona e de outros hormônios androgênicos. No Brasil, são produtos sujeitos a controle especial e a venda depende de prescrição médica.
Atuação em diferentes estadosSegundo os investigadores, a organização mantinha núcleos em diferentes regiões do país.
No Distrito Federal, estavam concentradas estruturas de fabricação e armazenamento dos produtos, além de academias utilizadas na divulgação das substâncias e uma gráfica responsável pela produção das embalagens.
Em Goiás, a investigação identificou locais usados para receber insumos, uma farmácia de manipulação que teria ligação com o esquema e movimentações financeiras do grupo.
Na Paraíba, os policiais localizaram um laboratório que funcionava em uma mansão alugada e em uma residência de alto padrão à beira-mar. O núcleo contaria com apoio de familiares e de uma parceira local responsável pelo recebimento de insumos enviados do exterior.
No Paraná, uma fornecedora que atuava na região de fronteira e o marido seriam responsáveis pela distribuição das substâncias para outros estados.
A rede investigada também teria ramificações no Acre e em Minas Gerais, por onde os produtos eram distribuídos.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão da atuação da organização criminosa.