Casa do Autista de Maceió amplia cuidado com acompanhamento psiquiátrico integrado às terapias
Médica psiquiatra Natália Omena durante atedimentos com criança e responsável na Casa do Autista. Foto: David Silas/ Ascom Maceió Saúde
A Casa do Autista de Maceió ampliou a abordagem de cuidado oferecida a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao integrar o acompanhamento psiquiátrico à rotina de terapias realizadas na unidade. A proposta é acompanhar cada paciente de forma individualizada, considerando aspectos relacionados à saúde, ao desenvolvimento, à rotina e ao contexto familiar.
O atendimento psiquiátrico faz parte de uma estratégia multiprofissional e ocorre após uma avaliação inicial realizada pela equipe da unidade. A partir dessa triagem, o paciente passa a ser acompanhado por diferentes profissionais, de acordo com as necessidades identificadas.
Segundo a médica psiquiatra Natália Omena, a consulta tem como uma das principais funções avaliar a evolução do paciente e verificar se o tratamento adotado está adequado.
Acompanhamento vai além da consulta“Essa consulta funciona, basicamente, para a gente ver as necessidades do paciente. Então, é uma criança que vai precisar de medicação ou não, é uma criança que as terapias que ela está fazendo estão funcionando, se o tratamento já está correto. Tudo isso a gente vai avaliar na consulta”, explica.
A avaliação psiquiátrica não se limita à indicação ou acompanhamento de medicamentos. Durante as consultas, também são analisadas a resposta às terapias, a rotina da criança ou adolescente e a necessidade de ajustes no tratamento.
Nos casos em que há utilização de medicamentos, os retornos permitem acompanhar a resposta do paciente e avaliar possíveis mudanças. A equipe também verifica se a quantidade de terapias é adequada, se os atendimentos estão distribuídos de maneira equilibrada na rotina e se existe a necessidade de incluir outras abordagens.
Família também participa do cuidado“Com o decorrer das consultas, a gente consegue otimizar esse tratamento, verificar se as terapias estão em quantidade adequada, se estão bem distribuídas na rotina do paciente e se dá para incrementar alguma terapia para melhorar ainda mais o desenvolvimento. E a gente consegue também acolher a família”, afirma Natália.
O acompanhamento oferecido pela Casa do Autista também inclui a escuta e a orientação dos responsáveis. Durante as consultas, pais e familiares podem apresentar dúvidas relacionadas a comportamentos, terapias, medicamentos e à organização da rotina.
Quando necessário, os responsáveis também podem ser encaminhados para acompanhamento psicológico.
Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, a integração entre diferentes áreas permite ampliar o acompanhamento dos usuários.
“A psiquiatria não atua de forma isolada. Ela faz parte de uma rede de cuidados em que os profissionais compartilham informações e olhares diferentes sobre a criança ou o adolescente. Esse trabalho integrado permite acompanhar a evolução de cada usuário com mais atenção e buscar, sempre que necessário, os ajustes que favoreçam o desenvolvimento e a qualidade de vida”, destaca.
A gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, também ressalta a importância do acolhimento aos familiares.
Equipe multiprofissional“Quando uma família chega à Casa do Autista, ela também precisa ser acolhida e orientada. Muitas vezes, os responsáveis têm dúvidas sobre comportamentos, terapias, medicações e sobre como organizar a rotina. Ter profissionais de diferentes áreas trabalhando de forma articulada nos permite olhar para essas necessidades e construir um cuidado mais completo”, afirma.
A Casa do Autista conta com profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos.
A proposta é reunir diferentes especialidades para acompanhar as necessidades de cada criança e adolescente e oferecer um atendimento integrado.
A unidade é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos responsável pela gestão da estrutura. A instituição atua na administração de unidades municipais de saúde com foco em processos de gestão, governança e assistência à população.
Como ter acesso à Casa do AutistaPara solicitar atendimento, os responsáveis devem reunir a documentação necessária e procurar o Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol.
No local, é aberto um processo para análise. Entre os documentos solicitados estão:
- RG e CPF da criança ou adolescente;
- Cartão SUS;
- Comprovante de residência;
- Encaminhamento médico;
- Documentos do responsável legal.
Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos.
São priorizadas pessoas que ainda não estão inseridas na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que estão em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Depois da avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, entre eles a Casa do Autista.
Quando a procura é maior que a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, seguindo critérios técnicos e de prioridade estabelecidos pela rede municipal.