Estudo prevê quando a Terra poderá perder grande parte do oxigênio

Simulações indicam que a atmosfera poderá sofrer uma forte desoxigenação em cerca de 1,08 bilhão de anos, alterando completamente as condições de vida no planeta

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Estudo prevê quando a Terra poderá perder grande parte do oxigênio
Foto: NASA/Norman Kuring/Divulgação

O oxigênio que hoje sustenta a maior parte da vida na Terra não estará presente na atmosfera para sempre. Um estudo publicado na revista Nature Geoscience estima que, em um futuro extremamente distante, o planeta poderá passar por uma grande transformação atmosférica, com uma queda acentuada nos níveis do gás.

A projeção foi elaborada por pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão a partir de modelos computacionais que simulam a evolução conjunta da atmosfera, da geologia e dos organismos vivos.

De acordo com as estimativas, uma fase de desoxigenação acelerada poderá começar aproximadamente 1,08 bilhão de anos no futuro.

O que provocaria a queda do oxigênio?

A principal causa estaria relacionada à evolução natural do planeta e ao aumento gradual da luminosidade do Sol.

Ao longo de centenas de milhões de anos, o aumento da energia solar deverá modificar processos químicos responsáveis pelo equilíbrio do carbono na atmosfera. Uma das consequências previstas é a redução progressiva da concentração de dióxido de carbono (CO₂).

O gás é essencial para plantas, algas e outros organismos que realizam fotossíntese. Com menos CO₂ disponível, esses seres teriam cada vez mais dificuldade para sobreviver e, consequentemente, a produção de oxigênio também diminuiria.

Terra poderá voltar a ter atmosfera semelhante à do passado

Os modelos indicam que a atmosfera terrestre poderá assumir características semelhantes às de períodos muito antigos da história do planeta, quando os níveis de oxigênio eram muito menores do que os atuais.

Nesse cenário, a concentração de oxigênio cairia para uma pequena fração dos níveis presentes. A atmosfera também teria maior quantidade de metano, pouco dióxido de carbono e não contaria com a atual camada de ozônio.

A mudança seria suficiente para inviabilizar a sobrevivência da maioria dos organismos que dependem do oxigênio para obter energia.

Animais e seres humanos não sobreviveriam

A principal consequência seria o desaparecimento da chamada vida aeróbica complexa.

Animais, seres humanos e diversos outros organismos dependentes de oxigênio não conseguiriam sobreviver nas condições previstas pelos modelos. Por outro lado, organismos anaeróbicos, capazes de viver sem oxigênio, poderiam permanecer no planeta.

Um dos pontos mais importantes do estudo é que essa transformação atmosférica ocorreria antes de uma eventual perda completa dos oceanos. Ou seja, a Terra poderia deixar de ser habitável para formas complexas de vida por causa da composição da atmosfera muito antes de perder toda a água superficial.

Previsão tem margem de incerteza

A estimativa de 1,08 bilhão de anos não deve ser interpretada como uma data exata.

Os pesquisadores trabalham com modelos que apresentam uma margem de incerteza de aproximadamente 140 milhões de anos para mais ou para menos. Trata-se, portanto, de uma projeção para uma escala de tempo geológica extremamente distante.

Não há qualquer indicação de que o fenômeno represente uma ameaça para a humanidade ou para as próximas gerações.

Estudo ajuda na busca por vida fora da Terra

Apesar da distância temporal, a pesquisa tem implicações para a astronomia e para a procura de vida em outros planetas.

O oxigênio e o ozônio são considerados possíveis bioassinaturas — elementos atmosféricos que podem indicar atividade biológica. O estudo, porém, reforça que um planeta pode ser habitável durante parte de sua história sem necessariamente apresentar uma atmosfera rica em oxigênio.

Isso significa que a ausência do gás em um planeta distante não deve ser interpretada automaticamente como ausência de vida.

Para identificar organismos fora do Sistema Solar, os cientistas poderão precisar considerar diferentes combinações de gases e outros possíveis sinais biológicos, levando em conta também o estágio de evolução do planeta observado.