Alcolumbre diz ter maioria para se reeleger e rejeita impeachment de Moraes
Presidente do Senado calcula ter ao menos 48 votos e aposta no apoio do Centrão para barrar avanço do PL na disputa
Carlos Moura/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores que já conta com pelo menos 48 votos para tentar a reeleição ao comando da Casa em 2027. Segundo relatos, ele também não pretende pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, com quem mantém proximidade política.
Alcolumbre avalia que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial pode favorecer sua articulação para permanecer na presidência do Senado. A interlocutores, afirmou estar disposto a disputar a eleição interna contra qualquer candidato apresentado pelo PL.
O senador também pretende defender a indicação de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e atual integrante do Tribunal de Contas da União (TCU), para uma vaga no STF ainda neste ano.
PL prepara candidatura de Rogério MarinhoA articulação de Alcolumbre ocorre apesar do crescimento da bancada do PL, que deverá contar com 29 senadores a partir de fevereiro. A legenda planeja lançar Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro, para disputar o comando do Senado.
Um dos fatores que podem favorecer Alcolumbre é o interesse de partidos do Centrão em limitar o avanço político do PL no Congresso. Essa articulação também aparece na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.
Centrão se articula para manter Hugo MottaApós o primeiro turno das eleições, partidos do Centrão manifestaram apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara. Em reunião realizada em 14 de outubro, representantes de União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSD e Solidariedade convergiram em torno da continuidade do deputado no cargo.
Na eleição interna de 2025, Motta recebeu 444 votos, resultado de uma ampla coalizão que reuniu 17 partidos, entre eles PT e PL.
Agora, o deputado conta também com a proximidade política com Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Nogueira declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas a articulação em torno de Motta é apontada como um dos fatores relevantes para a composição de forças no Congresso na próxima legislatura.
A disputa pelo comando do Senado e da Câmara deverá refletir as negociações entre partidos do Centrão, o PL e o governo Lula, em um Congresso que terá papel decisivo na tramitação de projetos e na relação entre os Poderes.