O ex-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV), Ronnie Reyner Teixeira Mota, foi um dos alvos da operação da Polícia Federal realizada nesta segunda-feira (10). A investigação apura possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do instituto em títulos do Banco Master, entre 2023 e 2024.
Ronnie foi indicado ao cargo pelo então prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), em maio de 2023. Além do ex-presidente, a sede do IPREV, a empresa de consultoria Crédito & Mercado e outras seis pessoas foram alvo dos oito mandados de busca e apreensão cumpridos em Maceió e São Paulo.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de até R$ 97 milhões em bens e valores de seis investigados. A PF apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo os investigadores, os gestores teriam aplicado cerca de 20% do patrimônio do instituto em ativos considerados de risco, sem a realização de estudos técnicos considerados adequados. A PF também aponta que, no momento do primeiro aporte, de R$ 80 milhões em dezembro de 2023, o Banco Master ainda não fazia parte da lista de instituições elegíveis do Ministério da Previdência Social para receber recursos de regimes próprios.
O segundo aporte, de R$ 17 milhões, foi realizado em maio de 2024. Para a Polícia Federal, as circunstâncias das operações levantam suspeitas sobre possível interferência na governança do instituto e eventual atendimento a interesses diferentes da proteção dos recursos previdenciários.
Mendonça, porém, negou o pedido da PF para afastar os investigados de cargos públicos. O ministro também rejeitou, neste momento, mandados de busca contra o atual presidente do IPREV, Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga, e a ex-chefe de gabinete Francy Stephany Sobreiro Barbosa de Souza, por considerar que não havia indícios suficientes contra os dois.
Em nota, o IPREV afirmou que colabora com as investigações desde o início e forneceu as informações solicitadas pelas autoridades. O instituto também declarou que os investimentos seguiram os procedimentos legais e administrativos aplicáveis.
Segundo o IPREV, o patrimônio do instituto passou de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, e a instituição afirma manter capacidade para garantir o pagamento de aposentados e pensionistas.