Braskem pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de até R$ 56 bilhões

Petroquímica busca reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras; medida ocorre após fim do prazo de proteção contra cobranças de credores

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Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Canva/Divulgação

A Braskem informou nesta segunda-feira (24) que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da companhia para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em dívidas, valor que chega a cerca de R$ 56 bilhões na conversão.

A medida foi anunciada no mesmo dia em que terminou o prazo de 60 dias de proteção contra cobranças e execuções de credores obtido pela empresa em junho. Segundo a companhia, a recuperação terá escopo exclusivamente financeiro e não afetará contratos e obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros.

A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores e posteriormente leve o acordo à Justiça para homologação. Caso não consiga alcançar o apoio necessário, o processo pode evoluir para uma recuperação judicial.

Negociação com bancos

A Braskem já vinha negociando uma reestruturação de sua dívida há semanas. Entre as propostas discutidas estava o alongamento dos prazos de pagamento e períodos de carência para os juros.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, instituições financeiras também teriam exigido garantias vinculadas a ativos da companhia e a contratação de um empréstimo de aproximadamente US$ 700 milhões. A Braskem não aceitou o novo financiamento.

A empresa enfrenta um cenário de pressão financeira provocado pela combinação de endividamento elevado, juros altos, queda das margens e excesso de oferta no setor petroquímico internacional.

Impacto do desastre em Maceió

A situação financeira da Braskem também é afetada pelos custos relacionados ao afundamento do solo em Maceió, associado à exploração de sal-gema.

O desastre atingiu bairros da capital alagoana, provocou a desocupação de milhares de imóveis e afetou cerca de 60 mil pessoas. A companhia acumula despesas relacionadas a indenizações, acordos, reassentamentos e outras medidas de reparação.

O caso também avançou na esfera judicial. Em junho, a Justiça Federal recebeu denúncia do Ministério Público Federal relacionada ao desastre.

Pressão financeira aumenta

Além das dificuldades no mercado petroquímico e dos passivos relacionados a Maceió, a alta dos juros contribuiu para elevar o custo da dívida da companhia. Parte relevante das obrigações da Braskem está denominada em moeda estrangeira, aumentando a exposição financeira.

Em junho, as agências de classificação de risco Fitch e S&P Global também rebaixaram as notas de crédito da empresa diante da deterioração de sua estrutura financeira.

Outro movimento ocorreu no exterior: a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, protocolou na semana passada um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo mecanismo conhecido como Chapter 11.

A recuperação extrajudicial anunciada agora pela Braskem representa uma tentativa de reorganizar as obrigações financeiras e evitar, neste momento, uma recuperação judicial da companhia no Brasil.