O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a convocação de eleições antecipadas para 29 de novembro, em meio ao agravamento da crise habitacional no país.
O mandato atual do premiê terminaria apenas no fim de 2027. A decisão foi tomada após o Parlamento espanhol rejeitar, na semana passada, um pacote de decretos apresentado pelo governo para conter o aumento dos aluguéis.
Em pronunciamento televisionado, Sánchez afirmou que é necessário “renovar o apoio popular” ao Parlamento e defendeu a ampliação da maioria progressista para avançar com medidas sociais.
“Precisamos mobilizar e conquistar uma maioria progressista muito maior no parlamento, que nos permita superar interesses estabelecidos, implementar novos avanços sociais e continuar transformando a Espanha”, declarou.
A crise habitacional ganhou força após o despejo de uma mulher de 87 anos de seu apartamento em Madri, episódio que provocou manifestações na capital e em outras cidades espanholas.
No fim de semana, milhares de pessoas foram às ruas para cobrar medidas contra o aumento dos aluguéis e as dificuldades de acesso à moradia. Manifestantes também defenderam a realização de uma greve geral.
Em Madri, um grupo chegou a montar um acampamento na Puerta del Sol, uma das principais praças da capital. O Sindicato das Inquilinas da Espanha, que lidera parte das mobilizações, afirmou nesta segunda-feira que os protestos continuarão até que sejam promovidas mudanças na legislação.
“É uma vergonha”, afirmou Nando de Anguulo, de 26 anos, durante uma manifestação em Madri.
A votação antecipada será destinada à renovação do Legislativo espanhol. Na Espanha, o primeiro-ministro é o chefe de governo e é indicado pela força política que consegue formar maioria no Parlamento.
A antecipação ocorre em um cenário desfavorável para o Partido Socialista da Espanha (PSOE), de Sánchez, que aparece atrás nas pesquisas de intenção de voto citadas no contexto da crise.
O líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, reagiu ao anúncio e defendeu uma mudança no governo.
“Não podemos ter mais quatro anos da mesma coisa”, afirmou.
Sánchez já convocou eleições antecipadas anteriormente, em 2019, e conseguiu permanecer no cargo após a disputa.