O advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e a companheira dele, Kathellen Moreira, investigados pela morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, teriam descartado os celulares antes de serem presos pela Polícia Civil. A informação foi confirmada pelo delegado Eduardo Menezes, responsável pela investigação.
Segundo o delegado, os aparelhos foram jogados fora no mesmo dia da morte da criança e não foram encontrados pela polícia. O casal estava escondido em uma residência na região norte de Palmas (TO), sem televisão e sem contato por telefone celular.
Gustavo foi encontrado morto na casa do pai na segunda-feira (3). Igor e Kathellen foram presos na quinta-feira (6), em Palmas, pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Para a investigação, a ausência dos celulares dificulta a reconstrução da rotina do casal no período do crime. De acordo com Eduardo Menezes, os aparelhos poderiam ajudar na análise de mensagens, ligações e outros dados importantes para esclarecer o que aconteceu.
A mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, mantinha uma disputa judicial com Igor relacionada ao pagamento de pensão alimentícia. Ela também possui medidas protetivas contra o advogado, após relatar ter sido ameaçada.
O casal é investigado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. Kathellen também é investigada por possível omissão na condição de garantidora legal. Segundo o delegado, outros crimes podem ser incluídos no decorrer das investigações, incluindo fraude processual, além da possibilidade de participação de outras pessoas.
Exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) apontaram que Gustavo morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por lesões no intestino. A perícia também identificou múltiplas lesões pelo corpo, incluindo ferimentos na cabeça e indícios de violência sexual.
A criança foi encontrada morta sobre a cama, usando apenas fralda e enrolada em um edredom. Segundo a polícia, havia hematomas visíveis no rosto e garrafas de bebida alcoólica espalhadas pelo imóvel.
A mãe de Gustavo também apresentou à polícia registros de que o filho teria retornado machucado e dopado após visitas ao pai desde 2024. Um vídeo gravado antes da morte mostra o menino chorando e se recusando a ir para a casa de Igor. Nas imagens, ele afirma: “Porque ele me bate”.
A defesa de Igor e Kathellen afirmou que o caso exige cautela e análise técnica das provas. Os advogados sustentam que as informações divulgadas publicamente não representam a totalidade do processo e que qualquer conclusão definitiva deve ocorrer após a análise integral das provas, respeitando o contraditório e o devido processo legal.
As investigações continuam, e a Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer as circunstâncias da morte da criança e a eventual participação de outras pessoas no crime.