Um imóvel ligado ao ex-vereador Milton Leite foi invadido neste domingo (20), no bairro de Santo Amaro, zona Sul de São Paulo. Durante a ação, os suspeitos furtaram um HD que armazenava imagens das câmeras de segurança da residência.
De acordo com o boletim de ocorrência, uma vizinha relatou ter visto indivíduos saindo de um carro branco e seguindo em direção ao portão do imóvel. Segundo a testemunha, os suspeitos forçaram a entrada, permaneceram por alguns instantes no local e fugiram em seguida.
Milton Leite aparece no registro policial como um dos sócios do imóvel, que pertence à empresa Lesimo (Sonda Projetos e Construção Ltda.).
Apesar da invasão, objetos pessoais do ex-vereador permaneceram na residência. Entre os itens encontrados estavam cartões bancários, um Bilhete Único, cópias de documentos pessoais e uma carteira da marca Prada. Cerca de R$ 20 mil em dinheiro também não foi levado.
A polícia encontrou ainda dois sacos lacrados no imóvel. Um deles continha informações com nomes e valores, enquanto o outro guardava um RG autenticado em nome de Milton Leite e um celular.
Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, a vizinha estava na calçada quando ouviu o barulho do portão sendo forçado. Ao se aproximar do imóvel, teria visto uma pessoa deixando a residência e entrando em um carro que já estava em movimento.
A testemunha procurou moradores da casa, mas encontrou o imóvel com as luzes apagadas e sem ninguém no interior. Um vizinho teria informado que o endereço seria utilizado como escritório relacionado a um político.
Antes da chegada da Polícia Militar, a mulher entrou no imóvel e encontrou sinais de desordem. Entre os objetos observados estavam uma televisão desprendida da parede e uma bolsa sobre um sofá.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso foi registrado no 11º Distrito Policial (Santo Amaro) como furto a residência e localização/apreensão de objetos. A perícia foi acionada para analisar o local.
O ex-vereador está preso desde sexta-feira (18), quando se entregou às autoridades em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Milton Leite havia sido considerado foragido após não ser localizado durante o cumprimento de um mandado de prisão expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
Segundo o Ministério Público, o nome de Milton Leite aparece em depoimentos de investigados como suposto responsável pela operação de empresas que seriam controladas pelo grupo criminoso. O órgão também cita declarações de policiais militares segundo as quais o ex-vereador seria o proprietário de fato da empresa Transwolff, investigada em outro procedimento por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Milton Leite nega envolvimento com o PCC e afirma que pretende comprovar sua inocência durante o processo de investigação.
“Eu sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça e no trabalho da polícia”, afirmou o ex-vereador após se entregar.
A defesa de Milton Leite e a empresa Lesimo foram procuradas para comentar a invasão e o furto, mas não haviam se manifestado até a publicação das informações.