As manifestações em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizadas em São Paulo no domingo (11) e no Rio de Janeiro na segunda-feira (12), chamaram a atenção de especialistas pela mobilização popular. Para o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida, a adesão representa um movimento pouco comum para o partido nos últimos anos.
“Fazia muito tempo que o PT não conseguia colocar tanta gente nas ruas, como foi o caso de São Paulo ontem e do Rio de Janeiro hoje”, afirmou.
Na avaliação de Almeida, para que os atos tenham impacto efetivo na disputa eleitoral, seria necessário que a mobilização continuasse crescendo de maneira espontânea, em um movimento semelhante ao observado nos protestos de junho de 2013.
Naquele período, manifestações que começaram com reivindicações relacionadas ao transporte público ganharam proporções nacionais e levaram multidões às ruas.
“Seria preciso que isso crescesse de uma forma espontânea e fosse aumentando — um efeito cascata, um efeito crescente”, explicou o cientista político.
Almeida também afirmou que manifestações populares desse tipo podem contribuir para o processo democrático, independentemente do resultado das eleições.
“Isso é uma novidade que fortalece o processo democrático e legitima o resultado da eleição, qualquer que seja ele”, declarou.
Do lado adversário, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) estuda estratégias para responder à mobilização petista. Segundo análise do diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, uma das possibilidades seria ampliar a participação de lideranças nacionais do partido em atos pelo país.
Entre as iniciativas discutidas está a expansão dos chamados “bloquinhos do Nikolas”, eventos associados ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em Minas Gerais. Outra possibilidade seria mobilizar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em manifestações públicas.
Almeida também chamou atenção para a participação de prefeitos na mobilização política dos dois campos. Segundo o especialista, gestores municipais têm se envolvido intensamente nas articulações, inclusive com afastamentos temporários de suas funções para participar de atividades políticas.
“Os prefeitos estão atuando dos dois lados. Existe uma mobilização muito grande de prefeitos — prefeitos que tiraram licença do exercício de seus mandatos. Isso é muito intenso no Brasil hoje”, concluiu.